terça-feira, 27 de novembro de 2007

Tempo bom...



Sim! É um nerd que ao piano. Mas tudo bem, abstraiam o figura rara e concentrem-se apenas na música. São músicas do jogo Super Mario World! Quem é que nunca perdeu tardes tentando conquistar os mundos dominados por Bowser e seus Kopa Tropas no console do Super Nes?

As músicas presentes nesse vídeo me remetem muito a minha infância. As lembranças não foram só do video-game, mas de tudo que a cercou. Lembro do tempo que eu descia pra brincar de Corre-corre, Esconde-esconde, Stop, fora os jogos com bola (nessa época não era ainda fanático por futebol, acreditam que existia um ‘eu’ assim?). Lembro do primeiro jogo de Verdade ou Desafio e do clássico Beijo, Abraço, Aperto de Mão ou Salada Mista.

Lembro dos desenhos japoneses que estavam virando febre. Eu tinha dois grandes amigos nessa época, o Edu e o Guilherme que eram irmãos e moravam no mesmo prédio que eu. A gente passava tempo discutindo sobre os capítulos e montando os bonecos que ganhávamos.

E o video-game tem um peso especial em tudo isso e dispara sempre essas lembranças, simplesmente, porque sempre acabávamos no fim da tarde indo para o apartamento de alguém para jogar. Era febre na época e uma vez que se conhece os jogos é impossível não se amarrar.

A lembrança que guardo com maior carinho dessa época é a de quando ganho meu Super Nintendo. Lembro das tardes que eu ficava jogando não com meus amigos, mas com minha família. Minha mãe fazia alguma coisa bem gostosa pra gente comer e minha irmã, meu tio e eu ficávamos horas tentando descobrir os segredos das fases do Mario.

Tempo bom... =)

Simples

As pessoas mais interessantes são as mais simples também. Ontem, tive a oportunidade de falar com duas pessoas geniais e que fazem parte da história da Letras, Antonio Candido e Maria Aparecida.

O primeiro é extremamente conhecido no meio acadêmico por seus inúmeros estudos sobre a literatura brasileira. A professora Maria Aparecida é mais conhecida pela galera da Lingüística. Fui incumbido de convidá-los a receber homenagens em nossa colação de grau: o professor Candido como Patrono e a professora como homenageada da Lingüística.

A professora ficou surpresa com o convite e aceitou para minha felicidade, uma vez que foi para ela o meu voto em quem deveria ser homenageado do departamento de Lingüística. Fiquei feliz também por ela ter me reconhecido pela voz, acho legal quando os professores estão abertos a fazer amizades com os alunos. O professor Candido não aceitou o nosso convite, disse que a idade já não permitia a ele tal maratona. O professor foi o Patrono na última formatura e disse que, como ele faz questão de cumprimentar a todos, quase foi parar no hospital ao fim da cerimônia, pois ficou bem cansado.

Antonio Candido e Maria Aparecida, simples como todo o que há de bom na vida é!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

E hoje em dia, como é que se diz: “eu te amo”?

O amor parece ser banal em nossa sociedade que tem como deus o dinheiro. O importante não é amar, é fingir amar. Mas ao fingir amar é preciso se entregar inteiramente ao prazer, é preciso que o outro acredite no amor, é preciso que você mesmo acredite nesse amor.

Ao fingir esse amor, tentamos conquistar nossos objetivos, pois a pessoas que fingimos amar pode nos ajudar nisso. Dinheiro, poder, prazer, afeto, simplesmente alguém pra chamar de seu... As pessoas não procuram muitas vezes o outro, não procuram cuidar do outro, perceber as necessidades que o outro também tem. O importante é se sentir bem e ao menor sinal de um se sentir mal, as pessoas pulam fora. E pulam fora, simplesmente, porque a busca nunca foi em viver bem com o outro e se entregar de fato, de coração; a busca sempre foi por uma condição melhor para si.

Me chamou muito a atenção alguns relatos que a jornalista Mônica Veloso adiantou para imprensa e estarão na íntegra em seu livro, O poder que seduz. Eu não sei, mas vocês acreditam sinceramente no que ela diz: "Parece bobo, piegas, como uma adolescente falando, mas o fato é que amei o Renan loucamente, como jamais pensei ser capaz. Amei com a alma, com tudo que há de mais puro no meu ser”. (Os trechos apresentados foram retirados da coluna de Mônica Bergamo para a Folha de São Paulo)

Será que estou muito incrédulo? Não me digam que penso isso porque não acredito mais no amor, pois é bobagem. Amo e sei o que é amar, e o fato é que não consigo visualizar isso nessa mulher. Me digam: quem se aproveita de um amor para posar para Playboy, lançar livro, para se promover, cobrar altas pensões, cobrar pelo silêncio? Que tipo de pessoa se presta a isso? Na minha opinião, é alguém que não ama.

Parece que Mônica viu o fracasso de sua Playboy (fracasso de vendas, pois de visualizações acho que foi recorde, principalmente no Planalto Central) poderia colocá-la em um eterno esquecimento, então, resolveu lançar esse livro que mais parece um diário de adolescente, literatura barata que ainda faz um desserviço ao sentimento maior que uma pessoa pode sentir por outra.

A colunista Mônica Bergamo que publicou os trechos em sua coluna para Folha de São Paulo faz uma seqüência interessante de recortes para o anúncio da gravidez e a reação do senador: “Carregava no ventre o resultado de meu amor (...) ele entrou em pânico (...) Eu não acreditava que o homem que eu chamava de docinho, agia daquela forma.”

Será que é docinho a forma que dizemos hoje em dia, “eu te amo”? Ou “é vamos dar uns pegas, gatinha!”? Como disse Renato Russo em show da Legião Urbana em 1994, no Rio. O trecho que segue após o anúncio da gravidez, ela teima em dizer que o amou: “Pela primeira vez, percebi que o amor era lindo, mas a política, para ele, era tudo." Parece que Mônica Veloso realmente acredita nesse falso amor! E agora ela quer nos convencer disso também.

Como diz um pagode do Fundo de Quintal: “Quando a gente alguém se dá sem medo / Abre o coração, não tem segredo.” E eu acredito que alguém que realmente queira se entregar a outra, que acredita que a outra estará sempre ao seu lado, que não quer ter segredos, que não que em nenhum momento cobrar nada, além do amor, não tem esse tipo de atitude: “Para me precaver, gravei algumas conversas que tivemos durante a gravidez.”

Não quero inocentar o Renan de nada, não. Apenas quero pensar o quanto que as pessoas agem como a nossa cara Mônica Veloso. Às vezes em proporções bem menores, com ambições diferentes, as pessoas fingem um falso amor apenas para conseguir algo que falta a elas.

E não penso apenas no amor no caso de um casal, mas em todo tipo de amor. Penso, em todas às vezes que as pessoas se aproveitam dos sentimentos dos outros para conseguir coisas em benefício próprio. Chega de nos aproveitarmos dos outros!

Aconselho a todos a fazerem essa reflexão. E convido a fazer algo que será muito diferente para alguns: pensar um pouco no próximo, em como ajudá-lo; às vezes é apenas necessário se fazer presente, simplesmente pra mostrar que há alguém que se preocupa com ele.

Tentemos.

domingo, 25 de novembro de 2007

E estamos aqui pra mudar

Nada É Impossível De Mudar
Bertolt Brecht

Desconfiai do mais trivial ,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

http://www.culturabrasil.pro.br/brechtantologia.htm#Nada%20É%20Impossível%20De%20Mudar


Brigado, Néia!

Lost???

A vida acadêmica é a que quero pra mim, simplesmente curto muito tudo o que há nela (mentira... tem os prazos e esses eu não curto muito não...) e as possibilidades que ela te traz. A última coisa boa que a vida acadêmica me trouxe foi a apresentação no SIICUSP (Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP). A coisa boa que falo aqui não é o fato apenas de fazer uma comunicação sobre minha IC (Iniciação Científica) e receber um certificado disso, não que isso não seja bom, aliás, é ótimo. Mas o que eu gosto mesmo desses simpósios é a possibilidade de conhecer lugares novos ou pessoas novas (até porque nem sempre é possível conhecer lugares novos em simpósios, uma vez que parte deles é realizada que aqui na Cidade Universitária).

Dessa vez fui pra nova unidade da USP localizada na ZL de Sampa – vulga Zona Leste de São Paulo. É uma pena que não temos governantes sérios que acham que é muito legal colocar estudantes no meio de um canteiro de obras só pra conseguir votos se vangloriando por abrir mais uma unidade de uma universidade pública. A princípio, bate uma grande chateação por ver colegas naquela situação lamentável. Depois que você conhece a galera de lá, você acaba se revoltando mais, pois descobre os absurdos cometidos nas construções, o projeto original da arquitetura dos prédios que foi rasgado e tudo mais. Só pra ter uma idéia do que quero dizer: uma caixa d’água foi construída um pouco distante do local do projeto original, e no novo local que ela estava não trazia nenhum prejuízo no abastecimento do único prédio a que ela servia. Daí, um projeto de engenheiro (aluno da Poli) bateu o pé e deu piti até a caixa ser construída no local que ele achava que era devido e no local da antiga ficou um chafariz. Mas não é um chafariz todo bonitinho, é uma das coisas mais bizarras que eu já vi na minha vida. Ele era feito de ferro! Como é isso? Como uma coisa que fica em contato com água direto é feito de ferro? Nem preciso dizer que a ferrugem já tinha tomado toda essa obra da arquitetura uspiana. Me lembrou muito aquele negócio de quando se faz uma comida que não dá muito certo, aí a gente vai lá coloca mais água pra ver se ainda vira uma sopa, ou joga um queijo e manda pro forno pra ver no que dá... Como diria minha vó: “a emenda ficou pior que o soneto”.

Mas tudo bem! Nem tudo é problema no mais recente campus da USP. Aliás, lá vi muito mais vantagens do que desvantagens. E por incrível que pareça uma das maiores vantagens está na estrutura que essa unidade tem. Apesar ser um canteirão, os prédios construídos são muito bons e muito bem equipados.

Eu, aluno da FFLCH, levei minhas transparências pra lá, pois pensei com meus botões: “eles nos jogam lá praquela unidade no meio do nada, só porque é humanidades... com certeza lá deve ter só algumas salas com projetor pra eu usar PowerPoint. Melhor garantir os exemplos nas transparências.” Quando perguntei pra moça, como eu fazia pra requisitar um retroprojetor em minha sala, ela conteve o riso, disse que não existia retro lá e que todas as salas tinham datashow. Fiquei incrível! Pedi pra ela se era possível eu utilizar algum computador para criar uma apresentação e contei com uma ajuda inesperada.

Mariana é o nome dela e serei sempre muito agradecido pela ajuda que ela me deu! Foi comigo a uma sala e, além de me esperar, me ajudou dando palpites nos slides que eu estava montando. Mari, de coração, e mais uma vez, muito obrigado!

Aliás, os alunos da Leste foram muito bons anfitriões e receberam a todos nós que fomos apresentar muito bem. Foi legal conhecer as particularidades de lá, o nome que dão pros prédios e ver o como eles pensam a USP e o espaço da universidade pública. Festa com cerveja lá é algo que – pelo menos por enquanto – não existe. Drogas se são consumidas lá, não ocorre de maneira tão na cara quanto aqui.

São muito politizados e ainda não receberam a influência dos partidos políticos (muito provavelmente isso não aconteceu pela falta de verba direta ao CA de lá... fato curioso esse, né!?). São politizados pelo próprio fato de estarem lá durante a construção da unidade e de serem as primeiras turmas. Todos sabem bem qual a função deles lá e não vi nenhuma arrogância lá pelo fato de carregarem o nome USP.

Achei lá tão legal que achei que lá não parece USP. E se eles são conhecidos como USP Lost, é simplesmente pelo fato de sua localização, que realmente é de difícil acesso. Pois perdidos mesmo somos nós que estamos nesse mar de lama de política estudantil e não podemos contar com uma estrutura mínima para nossos cursos.

Nota sobre a invasão

Pois é... ouvi o que imprensa tem falado sobre a invasão do Morumbi e eu gostaria de dar uma versão de quem participou da tal invasão.

1º - Não foi uma invasão. Falaram até que teve portão arrebentado! Isso tudo é mentira. O que aconteceu foi o seguinte, havia um portão aberto e todos entraram por ele, sem zona, quebra-quebra ou coisas do gênero. Depois analisando os fatos, vi que o pessoal do Morumbi estava recebendo mercadorias do Habib's e acabou vacilando ao deixar aberto um portão que dá acesso às arquibancadas. Então, não houve nenhum tipo de bagunça para entrarmos lá.

2º - Uma vez lá dentro, todo mundo procurou um local para se sentar e curtir o treino. Tinha família lá dentro e tudo estava correndo muito bem. Até alguns gritos pró-Brasil foram cantados. Só que deus uns 5 minutos que estávamos lá e veio a polícia pedir pra que nós saíssemos de lá, pois ninguém estava autorizado a ficar nas arquibancadas. Eles até nos perguntaram como chegamos lá e dissemos que foi pelo portão. Mesmo assim, pediram pra gente sair. O que acontece é que alguns torcedores ficaram muito putos com o fato de ter que sair e aí começaram a gritar "Uruguai", "Rogério Ceni" e tudo mais.

Acho o seguinte, já que estávamos lá dentro sem perturbar podiam nos deixar lá e só precisava impedir que mais torcedores entrassem. Até porque o treino não era fechado para torcedores, uma vez que os sócios do São Paulo podiam acompanhar.

Aí ficou uma puta de uma má impressão que tinha uma torcida de São Paulo que estava a fim de boicotar a seleção, o que é uma grande mentira. Eu estava com uma amiga e participei de tudo isso e fique chateado com bobagens que foram faladas. Até porque se fosse invasão assim, eu nem chegaria perto, até pelo fato de estar acompanhado dela.

Bom... fica aí a indignação das invenções cada vez mais comuns da imprensa brasileira.

Acontece...

O legal é quando acontece o inesperado, quando o que era improvável se torna realidade. A gente começa a pensar que muita coisa é possível quando essas coisas acontecem. E a gente fica feliz com o desfecho inusitado.

Dos mais inusitados, eu acredito que o virtual quando se torna real é um dos mais interessantes. Gosto de tudo aquilo que vivo empiricamente, posso tocar, abraçar, beijar... Mas há coisas que se passam numa outra dimensão, numa dimensão virtual, e como a experiência físico-fisiológica não é possível, ela parece menos empírica. No entanto, ela é tão real quanto a outra. É tão real que ela pode até passar para esse nível onde os sentidos humanos podem ser colocados pra funcionar.

E eu fico feliz com essas vivências que, antes não contavam com aparato do contato direto e apenas eram mediadas pelas línguas naturais em sua forma escrita nas mídias digitais, começaram a ter seu lado empírico mais forte! Josi e galera da off, bom ver vocês! =)

Ah... tá bom... tá bom... Eu deveria ser menos nerd e não teorizar uma coisa simples de se falar! Será que o Zé Moleza tem emprego pra mim???

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Processo e Produto

Eu acho que sou mais feliz quando estou fazendo alguma coisa do que quando essa coisa está pronta. É muito bom ver o resultado de seu trabalho! Dá uma sensação incrível de dever cumprido, principalmente quando você se esforçou muito para que tudo dê certo.

Mas não consigo esconder que quando estou no processo de execução de um projeto, eu sou mais feliz do que quando o mesmo termina. Pois é nesse momento que você está envolvido com o trabalho, você tem que criar, é nessa hora que você consegue desenvolver todo seu conhecimento. É aí que você tem o momento de EURECA!

O processo de criação é fascinante. Fora que quando você está fazendo um trabalho você se envolve com coisas novas, faz descobertas, pode conhecer pessoas interessantes, passa por momentos incríveis. E é isso que eu gosto mais. Quando você vê o produto pronto dá uma sensação ótima, mas mais dá saudade de tudo que passou.

E gostar mais do processo só me faz ser mais firme quanto às minhas convicções teóricas e acho que tudo o que eu estudo e acredito é o caminho mesmo que devo seguir, pois eles completam o que sinto.

A vantagem que vejo em gostar mais do processo do que do produto é a de você não querer parar nunca, pois se você se encostar muito nos resultados já conquistados, pode esquecer-se de buscar novos projetos e trabalhos pra fazer.

Por isso sou muito mais processo que produto. A verdade é que gosto mais da bagunça que o processo pode trazer também! =D

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cadê o Baiano?

Pra mim, é impossível ver e rever o filme Tropa de Elite e não ficar ligado e revoltado! Quem não conhece os tipos lá descritos? Quem é que nunca teve a vontade de ter a mesma atitude do Matias nessas passeatas de protesto quando morre gente mais abonada financeiramente? A violência não é solução para nada, mas admito que se segurar não é fácil nesse tipo de situação.

O filme coloca cada coisa em seu lugar. Dependente químico, o inferno. Maconheiro é também sócio de traficante, sim. Será que as pessoas não pensam que para fumar um cigarrinho do diabo tem criança trabalhando pra traficante? Toque de recolher no morro pra carregamento da carga de droga? Não pensar em tudo isso é puro egoísmo de quem dá um tapa no cachimbo da paz. Mas não os condeno sozinhos por isso, já que vivemos hoje num mundo onde o egoísmo é o principal fator que rege as pessoas.

A hipocrisia das ONGs mantidas por traficantes também foi exposta. Isso é fundamental, pois se o pessoal do morro, que é obrigado a conviver com aquilo e acaba usufruindo dos trabalhos realizados, pode acabar, de certa forma, romantizando os bandidos, fora do morro, não pode existir essa mesma imagem de traficante que está aí querendo fazer um Brasil melhor e com mais justiça social. Esse é um dos métodos que o tráfico tem para comprar a população das favelas e fazer com que o trabalho seja realizado com mais tranqüilidade.

Colocar isso em debate foi de uma coragem muito grande do diretor. Acabar com imagem de bonzinho tanto do drogado quanto do bandido que tem consciência social foi ápice do filme para mim. Mas tenho dúvidas que quem tenha assistido ao filme tenha pensado nisso realmente. As pessoas se ligam mais na violência e principalmente nessa violência sendo engraçada. Aí piadinhas surgem: “cadê o Baiano?” e lá vai um pedala no amigo; “Vai pro saco!” em tom de zoeira pra quem ta te enchendo. E não nego que faço esse tipo de zoeira também! Só que refletir sobre o que foi visto é essencial.

O BOPE não deve ser visto como o grupo de soldados heróis da pátria. Aliás, eles surgiram por uma situação de corrupção que existente. Eles foram gerados por toda violência que sofre aqueles que não querem fazer parte dessa zona. Eles agem com toda violência que uma guerra impõe. Eles são o escape para evitar que o sistema vá de vez para a mão do tráfico. Ao mesmo tempo em que eles livram, em parte, a sociedade dos traficantes, eles reproduzem uma série de crueldades, pois foi delas que essa facção da polícia do Rio surgiu.

Não podemos fechar os olhos para toda sacanagem que é feita. Temos que dar um basta na corrupção, e o basta tem início em nós dizermos não e contrariar aqueles que ainda querem entrar pra toda essa mutreta!

A verdade é que a fala do Capitão Nascimento sobre os tipos de policiais que existem serve perfeitamente para definir os tipos de pessoas que temos hoje em nossa sociedade, uma vez que eles são apenas um reflexo. Existem os policiais que se corrompem, os que ficam indiferentes e os que não aceitam a lama e vão pra guerra. O tiro final do Matias não é apenas um tiro na cara do Baiano, é um tiro em cada um que está assistindo ao filme, um tiro pra te fazer pensar que tipo de pessoa você é ou vai querer ser: a que abraça toda essa zona, a que fica indiferente e deixa o barco correr ou a que vai pra guerra por não aceitar todo esse lixo?

Eu já to na guerra!

(Ah... e quem não assistiu, vá assistir e vá ao cinema assistir. Não faça isso pelo cinema nacional só, faça por você mesmo. Já vi as duas versões e digo que a do cinema é mil vezes melhor. Sério mesmo! E quem só viu no Piratão vá ao cinema também, cambada de vagabundo!)

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Herança maldita

No início deste ano, o sucateamento do ensino superior do estado de São Paulo ganhou mais um capítulo: os famigerados decretos do recém-empossado Serra. O caro senhor resolveu institucionalizar a maior atenção que os cursos conhecidos como mercadológicos (engenharia, economia, relações internacionais etc.) já recebem, colocando de vez em segundo plano os cursos como os de geografia, letras, filosofia etc. Além disso, o decreto diminuía a autonomia das Universidades Estaduais quanto aos gastos.

Diante dessa situação, os alunos começaram uma grande mobilização com debates, assembléias, panfletos. A discussão sobre os decretos de Serra foram aumentando e a insatisfação que todos sentiam com as decisões impostas pelo Governador começou a gerar várias manifestações, e uma delas foi a carta que seria entregue à Reitora, onde os alunos pediam a posição oficial que USP teria diante dessa nova ordem imposta pelo estado. A “tia” Suely não quis muito papo com os alunos e deu três bolos em encontros marcados com o Movimento Estudantil. No terceiro, a paciência esgotou e os alunos resolveram ficar na reitoria até que esse assunto fosse resolvido.

Assim começou a Ocupação. Foram necessárias mais uma assembléia e muita discussão para que a USP tivesse uma assembléia histórica em frente à reitoria com mais ou menos 3 mil alunos para aprovar uma grande greve de funcionários e alunos. O movimento estava forte, sólido, com objetivos claros e com muito apoio para seguir em frente. A sacanagem dos decretos tinha os dias contados. Mas a vida é uma caixinha de surpresas, como diria mestre Joseph Climber.

Os primeiros dias da Ocupação com greve foram tensos, pois havia o medo da entrada do Choque para reprimir o protesto. Logo, ajudas de instituições de fora da USP apareceram para tentar negociar um fim pacífico para ocupação. OAB, Deputados Estaduais e até o Senador Suplicy intervieram. Mas os alunos foram irredutíveis. Eles possuíam uma lista de reivindicações que não abriam mão de nada. A única possibilidade de sair da reitoria era com o cumprimento de todos os itens.

Esperar que a pressão feita apenas pela Ocupação fosse o suficiente, foi de uma inocência imperdoável do ME. Aliás, é imperdoável, pois tenho lá minhas dúvidas que isso foi produto de uma inocência. A verdade é que mesmo com a reintegração de posse e a ameaça do Choque, os alunos que encabeçavam a Ocupação estavam numa situação que parecia ser confortável a eles. Foi uma época de ‘laçar’ muitos bixos para compor o novo movimento estudantil. Foi o momento onde esses cidadãos se fortaleceram e, junto com os funcionários, buscaram no fim das contas benefícios para eles mesmos.

No fim, a Ocupação estava desgastada, tinha virado fim e não era mais vista como um meio para conquistas. A muito os alunos tinham que ter saído de lá e procurado por meios legais conseguir aquilo que era completamente plausível e era preciso mostrar à sociedade toda a grande sacanagem que se estava fazendo com as universidades estaduais. Ficar lá só desgastou a imagem dos estudantes. Quando minha família me questionava sobre o motivo de eu participar da Ocupação, eles desfaziam todo preconceito que tinham sobre o ME e das verdadeiras causas pelas quais estávamos ali. Mas não entendiam mesmo assim porque ainda permanecíamos com a Ocupação e eu respondia: eu também não!
Tudo que era possível com essa mobilização monstruosa ficou apenas como um sonho, uma ilusão. Não vou entrar muito em outras questões que foram determinantes para a derrota do ME, pois não é disso que quero falar agora. Mas eu precisava fazer esse histórico para mostrar que todo esse processo acabou deixando uma forma de fazer protesto muito ruim e que tem se repetido por diversas vezes em todo Brasil. Essa forma de protesto não é apenas copiada por universidades públicas, até em instituições privadas ela vem ocorrendo.

Ocupar uma reitoria é um dos últimos recursos que os alunos das universidades públicas possuem para chamar a atenção de quem está no poder. Sim! É um dos últimos recursos, pois paralisação e greve de aluno chamam a atenção de quem? Aluno não presta nenhum serviço público que venha a causar problemas à população, caso não seja feito. Quem vai se importar se os alunos da USP vão ficar até janeiro estudando porque ficaram fazendo greve? Mas se ocuparmos o prédio que comanda a universidade, a mídia vai cobrir intensamente e poder público terá que nos ouvir também.

Mas fazer uma Ocupação é uma atitude última para forçar uma negociação. De preferência, ela não deve ser usada. Só que agora virou festa da uva! Os alunos não querem mais saber, se há algum problema (e sempre há), eles já se articulam para ver como vão fazer para invadir uma reitoria e ficar lá acampados até que a lista de reivindicações seja aceita.

Os últimos casos de Ocupação são realmente preocupantes. Não estou aqui para dizer que aluno de instituição privada não deve protestar por seus direitos, e nem que eles devem aceitar toda sacanagem. Mas espera só um pouquinho: ocupar a reitoria dessas instituições é a solução? Caramba! Será que não existe nada mais inteligente a se fazer? Eu não acredito que seja esse o único meio desses alunos conseguirem o que querem. Tanto os alunos da Fundação Santo André quanto os da PUC recorreram a esse método de protesto.

E a violência em Santo André mostrou que esse tipo de atitude pode receber grande repressão por parte do poder público e privado. Muitos processos contra alunos e professores foram abertos, fora a pancadaria com a PM. Os alunos da PUC, por possuírem um status diferenciado, estão ainda negociando, mas a faculdade já possui um pedido de reintegração de posse do prédio. Vejo nesses dois protestos motivos que realmente fazem alguém com um mínimo de discernimento se revoltar, mas sinceramente não consigo ver algo que exija uma Ocupação. Eu sempre achei que boicote aos pagamentos era uma boa, ou será que não? Será que o pessoal consegue entender que daqui a pouco ocupar reitoria será tão banalizando quanto estudante fazer greve? E é para isso que estamos caminhando! Para a banalização de algo que é grave. Sim! Ocupar um prédio é muito grave.

Não me orgulho por ocupar o prédio da reitoria da USP, acho que não deve ser orgulho para ninguém. Posso me orgulhar de fazer parte de um processo que tentou diminuir o sucateamento do ensino público e teve como um dos últimos recursos a Ocupação. Mas o fato de persistirmos tanto nela acabou dando uma falsa idéia para o ME fora da USP: a de achar que esse é novo método de conquistas de reivindicações. Uma herança maldita é o que sinto que deixamos para o Movimento Estudantil de todo país.