quarta-feira, 30 de abril de 2008

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Trabalho = Tortura?

A palavra trabalhar vem do latim tripiliare que significa torturar e trabalho de tripalium que significa antigo instrumento de tortura! Pra muitos, isso não é novidade, mas vale a pena sempre pensar nisso, principalmente no dia do trabalho, onde sindicato só pensa em fazer festinha de show com famosos.

É importante pensarmos nesse ritmo louco que estamos. Penso às vezes em vários amigos e em mim mesmo quando deixamos de sair porque precisamos ir trabalhar fora de horário ou na emenda de um feriado. Penso que quando eu vou dar aula todo sábado de manhã, eu estou ajudando a alguém ter uma melhor formação (não sei se consigo, mas pelo menos tento! hehehe); quando um médico é chamado às pressas de madrugada, é pra salvar uma vida. Mas quando corremos pra recuperar um servidor que está falhando, ou terminar um relatório de uma auditoria pra uma empresa que quer certificação da ISO 9000, penso... a quem estamos ajudando? Quem é que vai ser beneficiado com tudo isso? Concluo que isso só vai colaborar para um lucro maior de alguém que já tem bastante... Enfim... pensemos nesse feriado... e pra pensar, Nietzsche às vezes ajuda... hahahaha

No fundo, sente-se agora […] que um tal trabalho é a melhor polícia, que retém cada indivíduo pelo freio e que sabe impedir com firmeza o desenvolvimento da razão, do desejo e do prazer da independência. Pois faz despender enorme quantidade de energia nervosa, e subtrai essa energia à reflexão, à meditação, ao sonho, à inquietação, ao amor e ao ódio.
Friedrich Nietzsche
Os Apologistas do Trabalho, 1881.
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Ps.: agradeço a Professora Clarissa, professora de Artes da escola onde estou fazendo estágio, que me passou o texto. Depois vou ver se consigo postar o desenho que ela fez, é bem interessante.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sofrer é tão normal e necessário quanto tomar água

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração

Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão

Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba

Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não

Trecho de Samba da Bênção
Composição: Vinicius de Moraes / Baden Powell

segunda-feira, 28 de abril de 2008

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Uma homenagem às sogras


Frases de pára-choque de caminhão em homenagem às sogrinhas:

Sogra não é parente. É castigo.
Sogra boa é a que já morreu.
Feliz foi Adão, que não teve sogra, nem caminhão.
Deus fez a mãe, mas o Diabo inventou a sogra.
Não mando minha sogra para o inferno porque fico com pena do Diabo.
Quando sogra for dinheiro, pobre só casa com órfã.
Sogra por sogra, boa mesmo é a da minha mulher.
Duas coisas matam de repente: vento pelas costas e sogra pela frente.
Pior do que coice de burro só praga de sogra.
Corro, porque minha sogra vem aí.
Sogra é a segunda mãe, depois que morre.
Bígamo é o pecador que paga seus pecados porque tem duas sogras.
Morar com sogra é fazer vestibular para o céu.
Se sogra fosse coisa boa, Cristo não teria morrido solteiro.
Sogra e madastra, só o nome basta.

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Só uma brincadeirinha e que nenhuma sogrinha minha fique chateada achando que eu penso assim mesmo.

28 de abril: dia da sogra

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Mar


A primeira vez que vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é o menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia idéia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.
Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar...
Depois o mar entrou em minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e passava as horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou a sua mão... Um rapaz de quatorze ou quinze anos que nas noites de lua cheia, quando a maré abaixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa-noite... Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabia dizer.
Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar da praia e mar do mangue... A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro, lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para iscas. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande e perigoso mar fabricando um homem...
Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mas corajoso e audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e não esqueceu, que ficou obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar...

Mar
Julho, 1938
Rubem Braga

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Ps.: agradecimento especial à Néia que me mandou essa crônica e outras.

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domingo, 13 de abril de 2008


Faz muito tempo, mas eu me lembro... você implicava comigo
Mas hoje eu vejo que tanto tempo me deixou muito mais calmo
O meu comportamento egoísta, o seu temperamento difícil
Você me achava meio esquisito e eu te achava tão chata

Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino
Viver é uma arte, é um ofício
Só que precisa cuidado
Prá perceber que olhar só prá dentro é o maior desperdício
O teu amor pode estar do seu lado
O amor é o calor que aquece a alma
O amor tem sabor prá quem bebe a sua água

Eu hoje mesmo quase não lembro que já estive sozinho
Que um dia eu seria seu marido, seu príncipe encantado
Ter filhos, nosso apartamento, fim de semana no sítio
Ir ao cinema todo domingo só com você do meu lado

Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino
Viver é uma arte, é um ofício
Só que precisa cuidado
Prá perceber que olhar só prá dentro é o maior desperdício
O teu amor pode estar do seu lado
O amor é o calor que aquece a alma
O amor tem sabor prá quem bebe a sua água

Do seu lado
Nando Reis

sábado, 12 de abril de 2008


Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Camões

sexta-feira, 11 de abril de 2008


Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisseas portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriassee
as virge tôdas fugisse!!!

Ai! Se sêsse!...
Zé da Luz

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Indignação?!

Dois casos recentes chamaram muito a atenção por toda indignação que elas geraram no público: o caso Mosley e o da menina Isabela. O chefão da F1 foi mostrado em uma orgia com cinco prostitutas e a brincadeira toda continha requintes sadomasoquistas e fantasias nazistas. O caso menina Isabela é mais conhecido de todos, ela foi encontrada no jardim do prédio onde seu pai mora e teria sido supostamente jogada da janela do quarto do apartamento.

Mosley simplesmente virou alguém não querido em qualquer lugar. Seu gosto sexual misturado com o pouco caso feito com todo sofrimento dos judeus na segunda guerra fez com que até se cogitasse sua saída da F1. No último grande prêmio, sua presença foi vetada pelo Príncipe de Bahrein. Toda sociedade condenou a atitude de Mosley, sobretudo os judeus que se sentiram muito ofendidos. Mas vou falar uma coisa pra vocês: ofendido, me sinto eu com tanta bobagem! Olha, não vou aqui falar que entre quatro paredes vale-tudo, só pra não cair num clichê, mas penso que da vida sexual de cada, cada um é que cuide. Indignado, eu fico, pois me irrita profundamente pessoas que ganham a vida para vasculhar a das outras só para descobrir coisas desse tipo, divulgar e vender mais o próprio jornal. E aí se forma o circo. Tudo porque nossa sóbria e puritana sociedade adora comprar tablóides que escancaram com a vida de pessoas famosas! Acho realmente complicado o pouco caso que o Mosley fez do holocausto, mas se ele pensa assim, pensaria mesmo sem ter realizado essa orgia. E o do jeito que ele expressou esse sadismo dele, não veio a prejudicar ninguém. No vídeo não pareceu que nenhuma moça fazia aquilo forçadamente. O foda é o circo que se monta, circo montado num moralismo que a nossa sociedade não sustenta nem de longe.

Outro circo montado foi sobre o caso da menina Isabela. Eu também fico ferrado quando vejo uma criança sendo assassinada. Para mim, quem faz isso é um monstro que deve ser colocado em uma prisão perpétua, num local bem isolado, onde ele só consiga sobreviver, se ele trabalhar. Mas para saber quem é esse monstro deve haver investigação e julgamento. O que fizeram com o pai da menina foi brincadeira, prenderam o rapaz e sua esposa sem necessidade, pois dentro dos artigos da lei não há nada que justificaria isso. Não to dizendo que eles não são culpados, mas acho que é meio demais. A prisão só foi decretada por toda pressão que existiu por meio da mídia e tudo mais. Especial do Fantástico, Época e Veja com capas de luta... gostaria de saber onde está o luto pelas milhares de crianças que morrem todos os anos em nosso país por causa do tráfico e da miséria de nosso povo? Ah... isso já é comum, pode até se fazer isso, mas não vende, né?! Bando de abutres que não respeitam nem a dor da família. Todos envolvidos com o caso parecem mais atores e a resolução do problema é esperada como o último capítulo da novela “A próxima vítima”. Me lembro que algo parecido aconteceu ao produtor ou diretor do filme “Meu nome não é Johnny”, o filho do rapaz caiu do oitavo andar da sacada de seu apartamento. Ele e a mulher foram presos e depois de alguns dias foi constatado que houve um acidente, a moça tinha tropeçado em casa com o bebê no colo. Uma fatalidade. Na época foi veiculado que os dois tinham sido presos e tal, mas praticamente nada foi falado depois que foi comprovada a inocência deles.

O que me indigna de verdade é isso, é o gosto da sociedade em ver a desgraça dos outros; fica dando uma de moralista, mas mesmo assim exerce todos seus preconceitos todos os dias, to pra ver os judeus aceitarem conversar com os palestinos numa boa para resolver o problema da faixa de Gaza. A mesma sociedade que se indigna com o assassinato de uma criança, acha corriqueiro ver alguém morrer de bala perdida e é incapaz (ou se faz pelo menos!) de ajudar crianças que passam fome do lado de suas casas.

Realmente desprezo o preconceito, mas repudio mais ainda quem compra e corre atrás desse tipo de notícia. Meus sentimentos a família de Isabela e espero que o culpado seja realmente julgado com todo rigor da lei, mas espero mais que todas as mídias tenham mais respeito com a própria memória da menina e que não façam culpados antes da hora.

Vai cueca com freada aí?! É de marca!


Eu, Etiqueta

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos de mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso dos outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solitário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar, ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares, festas, praias, pérgulas, piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio de estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo dos outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade
in O Corpo
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Em memória à dignidade humana mais uma vez morta. Dessa vez o óbito ocorreu no primeiro dia de realização do bazar beneficente com os pertences do megatraficante, Abadia.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Boas lembranças


Uma prova dessas de múltipla escolha. Fazia muito, mas muito tempo que não via um daqueles cartõezinhos para preencher as resposta. A última vez tinha sido num concurso (fiz 90% da prova, mas o prefeito de Tangamandapio cancelou o concurso, nunca mais prestei nenhum concurso público, tenho a sensação de ter muita armação).

Durante a prova, eu fiquei muito concentrado em apenas responder as questões, não reparava em nada ao meu redor, ficava apenas atento às várias pegadinhas que o teste possuía. Quando comecei a passar as respostas para o cartão, comecei a me tocar em toda aquela cena. Era um cursinho o local e bons momentos foram revividos naquele instante. Dois anos muito engraçados eu passei no cursinho, onde aprendi muito, conheci pessoas incríveis – uma com certeza ainda me acompanhará por muito tempo. Nesse período, amadureci demais: era o primeiro curso que eu fazia me bancando integralmente.

Mas a cena do teste me lembrou coisas engraçadas, coisas dos simulados. Era impossível eu não chegar exatamente na hora marcada ou um pouquinho mais tarde, aí sempre contei com a boa vontade de quem estava na porta pra me liberar. Foram nos simulados onde eu tive que desenvolver a técnica de preencher o cartão de respostas de trás pra frente (acho que todo canhoto deve fazer isso, mas ninguém fala isso pra gente... =/). Mas o mais engraçado era quando eu preenchia o tal cartão errado. Eu quase sempre errava alguma coisa... não tem jeito, o silêncio absoluto é um convite a minha desconcentração até hoje. Se eu errava, preenchia B onde era C, eu simplesmente preenchia todos os quadros para que minha questão fosse cancelada. Olha que absurdo o pensamento, não passava pela minha cabeça que eu poderia ter respondido errado e poderia contar com a sorte de acertar a questão. Mas o que eu queria mesmo é que a máquina analisasse como cancelada a questão e não como se eu tivesse errado, pra que num relatório alguém não pensasse que eu era burro. Pensando nisso enquanto preenchia o cartão de resposta durante essa prova que fiz recentemente, pensei que quem analisasse tal relatório (que só existia em minha imaginação) não pensaria que eu era burro, mas, por anular uma questão propositalmente, deveria ter a certeza de que eu era uma besta completa! =P

quarta-feira, 2 de abril de 2008

É só amor


Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.

Coríntios I: Capítulo 13

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Eu concordo sobre tudo com o final da carta que diz que entre o amor, a fé e a esperança, o amor é o maior. Pois sem ele seria impossível ter fé e esperança.

Post a todos que sabem o que é amor de verdade e especialmente àqueles que resolveram oficializar nesse final de semana. =)
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Ps.: Vejam só vocês... parece que a bíblia já previa certas freguesias. Hohohoho...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Por que a chapinha deve ser abolida?



A foto diz tudo. Eu sempre digo isso pra minhas amigas, mas essa é uma prova inquestionável. Não sou louco aqui em dizer que a Aline Moraes ficou feia, eu não to usando drogas. Mas fala a verdade, ela não tá muito mais bonita na primeira foto?

Não digo que as mulheres não devem cuidar de seus cabelos. Aliás, antes que alguma mulher me xingue, sei que o cabelo da primeira foto está produzido. Mas fala a verdade, não tá muito melhor que o estilo escorrido a vaca lambeu da segunda foto?

Minhas caras amigas que possuem o cabelo liso porque Deus quis assim, não vão achar que eu não acho vocês lindas também. Mas vocês respeitam a natureza de vocês e não saem por aí fazendo coisas pro cabelo de vocês ficar enrolado. O que eu quero dizer é que as mulheres devem explorar a própria natureza e não devem ficar se modificando. Não alisem seus cabelos achando que homem algum vai achar mais bonito... Isso é mito. Homem não gosta de cabelo arrumado. =)

Se a mulher tem cabelo ondulado, deixe assim, encaracolado a mesma coisa, afro também. As mulheres já são lindas pela própria natureza. Então, respeitem a própria natureza de vocês. ;)

E isso não é primeiro de abril, hein?! Hahahahahahaha