segunda-feira, 30 de junho de 2008

Uma amiga, que anda acreditando que tem um olhar triste, mandou um texto falando sobre o amor (o texto está disponível apenas pra assinantes da Folha ou do Uol, não achei ele em outro lugar e não queria colocá-lo inteiro no corpo do post). O amor é sempre um assunto em pauta. Oras, o que seria da nossa vida sem ele, não é?! Só pra ter uma idéia, fui com bons amigos ao Museu da Língua Portuguesa, nesse domingo, e na Estação da Luz estava tendo uma exposição de cultura japonesa. Lá tem uma árvore de uma antiga lenda japonesa, que diz que os pedidos pendurados na árvore se realizam na época da festa dessa lenda. Para cada tipo de pedido, tem uma cor de papel. Vermelho e rosa são as cores para paixão e amor. Nem precisava dizer que o meio da árvore tava repleto dessas cores e que não tinha mais nenhum cartão rosa ou vermelho. Aliás, exposição que rendeu um vídeo sensacional... agora não sei torno alguém a mais nova celebridade do Youtube. hohohoho... né, Cla?! hohohoho... Aliás, ótimo dia ontem! Eu estava certo em postar a música 'Vinte e nove' do Legião (foi meu primeiro post programado! mala, hein?! hahaha). Ontem foi um momento de deixar velhos fantasmas, resolver certas pendências com a pessoa que mais amo nesse mundo, e fiz tudo isso com apoio de amigos. O que melhora tudo nessa vida.

Mas voltando ao texto (puxa vida, acho que é a primeira vez que vou postar algo com uma digressão tão grande), ele foi escrito por um dos colunistas da Folha e quer falar sobre o amor, um amor talvez egoísta, um amor que é mais pelo prazer do dizer 'eu te amo'. Eu pensei bastante sobre o que o cara quis dizer e pensei: seria esse o amor egoísta? Contardo Calligaris diz que as pessoas amam mais o ato de dizer "eu te amo" do que a pessoa que recebe essa declaração. Ele fala sobre todo o exagero que acontece em certas declarações e diz preferir um amor que é dito e demonstrado por atitudes, mais silencioso, por acreditar que esse tipo ser muito mais presente e sentido.

Certo, entendo o que ele quer dizer. Acho realmente que as pessoas não têm mais muita noção do ato de se declarar. A Lia disse tudo o que eu quis dizer com a outra música que postei do Legião um pouco mais abaixo. 'Vamos fazer um filme' é uma das músicas que mais gosto e penso sempre em meus amigos e amores, quando a ouço. (Aliás, pretendo fazer um filminho com fotos de toda turma quando terminar a graduação). A música contém uma pergunta que eu penso muito e que vem de encontro com a questão levantada pelo texto: como que se diz eu te amo? Gritando? Silenciosamente? Com flores? Se afastando? Com carinho? Com beijos? Com sexo? Pedindo em casamento de joelhos em um lugar especial? Dizendo o quanto gostaria de fazer a outra pessoa feliz? 'Vamos ficar aí e dar uns pegas, gatinha'? Não dá pra saber... e nem sei se é pra se saber. Acho que cada um tem seu jeito de amar.

O fato é que, pra mim, independentemente de como for, o grande prazer de amar está em fazer o outro feliz, ver o outro bem e mostrar como esse amor é importante, como você acha bom senti-lo. Acho que se isso for feito por um megafone ou por simples gestos do dia-a-dia, o peso é o mesmo. Surpresas, atos inesperados... podem ser legais ao não, dependerá do estilo do casal. Dependerá de quem faz e de quem recebe. Dependerá do que cada um sente pelo outro e dependerá muito pouco do ato em si.

Gosto de dizer "eu te amo", quando amo. Quem não gosta? Escrever cartas, cartões... Expressar o quanto se gosta da outra pessoa. Através dos meios eletrônicos as pessoas fazem muito isso, no orkut colocam a foto com o outro no perfil, escrevem um texto no blog, um nick no msn. Por que não? Principalmente, início de namoro que é bem meloso! hahahaha... Mas não vejo esses atos como sendo excluídores dos atos silenciosos que o Calligaris diz, isso não faz com que a gente não possa sair pra conversar só com a pessoa, fique para ouvi-la quando ela precisa desabafar, sai por sair só pra estarem juntos, um carinho, um filme juntos, fazer um esforço a mais pra ajudar a outra pessoa numa tarefa mais complicada, se ajudarem nas tarefas comuns do dia-a-dia...

Enfim... acho complicado eleger um estilo bom de amar... parece coisa do... cof... cof... do Paulo Coelho com aceitação acadêmica. Cada um tem seu estilo, uns mais exagerados, outros mais contidos, mas não pra dizer por aí que se ama mais ou menos.

O que acho legal no ato de amar é o prazer que sentimos ao fazer o outro feliz. O estilo tá mais ligado a personalidade cada um. Posso dizer que eu tenho um estilo diferente daquilo que o texto propõe como um amor mais verdadeiro, mas não sinto menos verdade no que eu sinto, nem mesmo menos intensidade. Acho só que é diferente...

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E esse texto que começou como normalmente boas conversas entre amigos começam, com várias digressões, tem que terminar como elas terminam também... sem uma conclusão de fato, principalmente quando conversamos sobre assuntos mais densos...
To bem ligado às boas conversas que tive ultimamente.

domingo, 29 de junho de 2008

29...



Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais

Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver

Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão

E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez

Vinte E Nove
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008



Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar

Hoje não dá
Hoje não dá
A maldade humana agora não tem nome
Hoje não dá

Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas

Adicione a seguir o ódio e a inveja
As dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça antes de levar ao forno
Temperar com essência de espírito de porco
Duas xícaras de indiferença
E um tablete e meio de preguiça

Hoje não dá
Hoje não dá
Está um dia tão bonito lá fora
E eu quero brincar

Mas hoje não dá
Hoje não dá
Vou consertar a minha asa quebrada
E descansar

Gostaria de não saber destes crimes atrozes
É todo dia agora e o que vamos fazer?
Quero voar pra bem longe mas hoje não dá
Não sei o que pensar e nem o que dizer
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou

Os Anjos
Legião Urbana
Composição: Renato Russo


Nota: gosto mais da versão do show "Como é que se diz eu te amo" de 94, no Rio de Janeiro, mas não tinha aqui. Vou ver depois coloco essa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hoje ela faria 24 anos. Ela também era de 84, assim como eu. Engraçado... muita gente quando morre recebe meio uma aura de santidade, de bondade, de que fez um monte de coisa boa. Até quando o ACM morreu foi assim. As matérias em Folha, Globo, Estadão, todas elas pareciam tratar da morte de um herói brasileiro. Mas no caso dela não seria exagero algum, nem demagogia.

Não posso falar de como era ela ultimamente, não convivíamos tanto. Sei que ela trabalhava bastante e ajudava muito em casa, tanto financeiramente, quanto com apoio à irmã mais nova. Eu posso falar mais dela quando éramos crianças, pois foi quando ficamos amigos. Eu a conheci no pré e sempre sentávamos mais na frente, confesso que era nerd desde criança. Ela também era e ia melhor do que eu na escola. Aliás, além de amigos, éramos rivais, mesmo que de forma velada, sempre havia uma certa disputa pela maior nota nas matérias. Mas a rivalidade nunca atrapalhou as brincadeiras e a nossa amizade. Na volta ao prédio – morávamos no mesmo condomínio –, sempre tinha os jogos que participávamos juntos, nós e todas as outras crianças.

Lembro que na 4ª série, ela, um outro amigo e eu terminávamos as lições rapidinho e ficávamos fazendo qualquer outra coisa. Até meditação, vê se pode?! Pra falar a verdade, ficávamos conversando mesmo, o que não sei por que chateava a professora, mas que acabava não brigando com a gente, pois sempre íamos muito bem. Na quinta série, ela foi pra manhã e eu continuei no período da tarde. Continuávamos a nos encontrar apenas nas brincadeiras no prédio. E fomos, aos poucos, nos vendo cada vez menos, entrei pro SENAI e ela se dedicou muito aos estudos pra passar em um bom vestibular. Ela acabou não entrando na USP por opção, pois era muito melhor aluna do que eu. Apostou no que diziam na época (talvez até hoje), que o curso de Turismo era bem melhor na Anhembi.

Nem preciso dizer que ela se formou muito antes de mim. Ela estava trabalhando na TAM, começou como atendente de Call Center e já esta como supervisora de um departamento. Naquele dia, ela estava no prédio de cargas da TAM participando de uma reunião, mas ela não trabalhava ali. Naquela hora, já era pra ter terminado a reunião e ela pediu ao pai que passasse antes no mercado, pois a reunião tinha atrasado um pouco. Ela não tava andando de avião, não tava atravessando a rua de forma distraída, não tinha nenhuma doença, mas o momento dela tinha chegado. Não dá pra crer em apenas sorte, azar, há muito mais que coincidências em tudo que aconteceu naquele dia. E, pra quem crê que há muito mais que coincidências nas coisas da vida, fica muito complicado entender por que justo ela. Mas talvez seja isso mesmo, talvez não seja pra compreendermos muito agora, não... tem coisa que é assim. Talvez seja pra aprendermos alguma coisa, talvez...

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Fará imensa falta

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Que dias há que na alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê.

Camões


Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.

Alberto Caeiro


- E eu só agüento tudo isso porque sei que você está aqui... do meu lado.
- É, Nego... não é uma mortezinha qualquer que nos separa.

dos Melhores


PS.: apesar de ser uma data puramente comercial, tem que ser comemorada. Mas como não vou passar isso a ninguém, fica de dica aí pra quem tá pensando numa mensagem ou no amor simplesmente! =D

segunda-feira, 9 de junho de 2008

E é dia da língua portuguesa

É... hoje é dia dela. Vejam só. 9 de junho, pertinho do dia dos namorados, nós comemoramos o dia da língua portuguesa. Porém, esse 9 de junho não está sendo como os outros foram. Disseram no início do ano que a língua portuguesa sofrerá mudanças em sua ortografia. Todos os países que falam língua portuguesa usarão a mesma ortografia e gramática. Então, esse é o primeiro da língua portuguesa com as mudanças vigentes.

Eu fico pensando aqui que tipo de desocupado pensou em unificar a ortografia. Pois, sinceramente falando, é uma idéia mais que imbecil. Esse projeto existe desde 91 e só beneficia editores e gramáticos. Culturalmente falando isso é uma porcaria, pois é pensar que falamos o mesmo português aqui, em Portugal e na meia dúzia de países africanos que foram colônia lusa. Se quisessem pensar em alterações aqui pro Brasil, penso que seria apenas uma questão de atualizar, mas jogar num balaio só é ridículo.

As diferenças culturais são gritantes e devem permanecer assim. Cada povo com sua maneira, Portugal e sua população estão certos em lutar contra isso, pois é ridículo termos que reaprender ortografia nessa altura do campeonato. Sinceramente, eu não me interesso nenhum pouco e não vejo nenhuma vantagem em saber que o jeito que eu grafo as palavras aqui será igual em Cabo Verde, Moçambique, Angola, Lisboa ou em qualquer outro lugar que se fale a língua portuguesa. A graça em ler os romances africanos, em parte, está em ver as diferentes maneiras de utilização do português. Qual interesse em acabar com isso? Só pra editores mesmo. Editores que querem baratear o custo das obras e tentar exportar mais. Só a eles e a gramáticos. Imagina que um cidadão de Ruanda tem que se expressar numa norma gramatical igual a nossa. Isso é loucura.

Mas enfim... tá feito. Mas fica aqui meu protesto contra aqueles que não conseguem ainda ver que a língua é um processo social e insistem em uniformizá-la.

sábado, 7 de junho de 2008

Nem a AD explica!



I know I stand in line,
until you think you have the time
to spend an evening with me

And if we go some place to dance
I know that there's a chance
you won't be leaving with me

And afterwards we drop into a quiet little place
and have a drink or two
And then I go and spoil it all
by saying something stupid
like :"I love you"

I can see it in your eyes
that you still despise the same old lines
you heard the night before

And though it's just a line to you
for me it's true
it never seemed so right before

I practice everyday
to find some clever lines to say
to make the meaning come true

But then I think I'll wait
until the evening gets late
and I'm alone with you

The time is right
your perfume fills my head
the stars get red
and oh, the night's so blue

And then I go and spoil it all
by saying something stupid
like: "I love you"

The time is right
your perfume fills my head
the stars get red
and oh, the night's so blue

And then I go and spoil it all
by saying something stupid
like: "I love you"

Something Stupid
Frank e Nancy Sinatra
Composição: C. Carson Parks




Existe um amor dentro de mim
Que eu não posso nem mais controlar
Se olho prá você e vejo o seu jeitinho
De sorrir e de falar
É algo tão estranho
Que eu mesmo não consigo mais compreender
Uma coisinha estúpida
Que eu gosto de sentir
Que é amar você

Espero, amorzinho
Que o meu carinho por você não seja em vão
Entrego de presente minha vida
Meu destino e meu coração

Coisinha estúpida (Something Stupid)
Leno
Composição: C. Carson Parks
Versão: Gileno

domingo, 1 de junho de 2008

Só um pouquinho de humor negro


É de minha natureza... e nesse período de minha vida, não posso deixar escapar isso. A música tá ali do lado, pra quem quiser ouvir. É dá hora!

Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Vargas, suicidou
Nietzsche, enloqueceu
E eu, não vou nada bem

Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Isocrates, suicidou
Goya, enloqueceu
E eu, não vou nada nada bem

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Van Gogh, suicidou
Schumann, enloqueceu
E eu puta que pariu não vou nada bem...

Chatterton
Seu Jorge


A foto é de um filme chamado "À beira da loucura"

Sobre quem somos

Tava conversando com uma amiga, que admiro muito, por esses dias. E falamos como é ruim ser traído. Ela falou tão bem... é feio, é sujo... é tão difícil de lidar. Mas penso que nessas horas é que mostramos quem somos, qual é nossa fibra e qual é nossa moral. Porque podemos seguir caminhos de vingança e nos igualar ou darmos a volta por cima, confiar que nossas atitudes e nosso trabalho nos levarão a um caminho melhor. E isso nos levará a saber se temos que insistir em certas coisas ou nos afastar de vez delas.

E se confiarmos, se seguirmos aquilo que nossa intuição mostra que é o melhor caminho, o melhor virá. E virá pra ela.

Vou postar uma música que não tem muito a ver com o caso em específico, mas tem a ver com uma geral.

Só de sacangem

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam

entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo

duramente para educar os meninos mais pobres que eu,

para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus

pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e

eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança

vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança

vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o

aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus

brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao

conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e

dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva

o lápis do coleguinha",

"Esse apontador não é seu, minha filhinha".

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido

que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca

tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica

ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao

culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do

meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:

mais honesto ainda vou ficar.

Só de sacanagem!

Dirão: "Deixa de ser bobo, desde Cabral que aqui todo

o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse

o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu

irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a

quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o

escambau.

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde

o primeiro homem que veio de Portugal".

Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.

Eu repito, ouviram? IMORTAL!

Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente

quiser, vai dá para mudar o final!