sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Um minuto de silêncio

Pela beleza roubada ainda na flor da idade.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Vovó é mais bonito - Round 2 - Babality

Mais uma vez, nossa intrépida senhorinha adentra a um ônibus para sua jornada de trabalho. Apesar do avançar da idade, ela simplesmente não pára. Ao entrar, percebe que os acentos reservados estão ocupados, mas não exatamente por quem deveria. O motorista intervém:

- Pede para ela deixar a senhora sentar.

- Calma. Tudo bem. Ela está cansada, está dormindo.

- Não, não. É direito da senhora. Isso aí não é certo. Ela é novinha, pode ficar em pé para a senhora sentar.

Uma voz sonolenta resolve se pronunciar:

- Por que essas velhas não ficam em casa, hein?!

- Velha não, filha. Fala vovó que é mais bonito.

O motorista se acaba em risadas e o restante dos passageiros faz uma "ola" mais que sincronizada. A mocinha cede o lugar, desce na parada da Ponte Cidade Jardim e dizem que nunca mais foi vista.

O caso da janela - Round 1 - Flowers Victory

A boa velhinha entra no ônibus e se senta perto da janela. Uma mocinha sentindo todo o calor que a juventude lhe causa escancara, às seis horas da matina, toda a janela na cara senhorinha, que não titubeou em voltar a fechar.

- Mas eu não abri a janela?!

- Mas eu sinto muito frio, minha filha.

- E eu muito calor!

- Mas eu já tenho muito idade. Por favor...

- Eu não sei o que essas velhas têm que andar de ônibus!!!!!

- (sorri carinhosamente) Não se preocupe, filha. Você tá caminhando pra lá também.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

l a e t i t i a

Quando homens choram, normalmente, é por algo muito importante. Penso que alguém que é muito bom, que realmente faz pelo outro, pensa no bem estar de quem ama e, sem frescura, ama muita gente é alguém que merece nossa atenção, pois é indiscutível sua importância. Acho que às vezes carregamos algo de nossos nomes, como se alguma característica de nossa personalidade nascesse na hora em que nossos pais nos dão um nome, e trazer alegria para alguém não é das tarefas mais fáceis. Mas alegria mesmo, não estou falando daquilo que dá e passa.

É interessante perceber o grau de responsabilidade que temos com todos que entram em nossas vidas e o quanto precisamos ser cuidadosos para não fazer alguém sofrer por nossos caprichos.

Essa postagem é uma homenagem a uma vida que poderia ter sido e foi aquilo que era possível ser, pois pouco adianta lastimar o que ela não foi, que me perdoe Bandeira.


Quem acredita (ou espera) sempre alcança, não é mesmo?

sábado, 24 de janeiro de 2009

O homem e seu contato com a natureza


Diesel e monóxido de carbono. Longa viagem, estrada e muito barulho de motor. Mochilas de material sintético impermeabilizante para proteger toda uma parafernália: celulares que possuem até TV embutida, GPSs, hodômetros, contadores de passo, binóculos. Para adentrar a mata, bermuda parece ser uma loucura, uma vez que há tantos mosquitos: bonés ou chapéus com opção para proteger os ouvidos, calças e camisetas que secam mais rápido, apoiadores ou bengalas feitas de fibra de carbono para auxiliarem à caminhada, protetor solar fator 30 pelo menos e repelente, muito repelente! Para comer, salgadinhos, chocolates, bolachas e claro que acompanhados da boa e sempre presente Coca Zero. Nisso até certa vantagem, pois nada na natureza foi maltratado para alimentar ninguém, já bastava o estrago feito por pisantes potentes, que absorvem e expulsam a água de acordo com a necessidade, cheios de aderências, só faltava ter neles uma opçãozinha de um jatinho propulsor nos calcanhares. Se compararmos proporcionalmente um grupo que faz ecoturismo, onde mais novo está para completar um quarto de centenário, com um que sobe o Everest, o primeiro é muito mais equipado (e para que mesmo um idiota sobe o Everest?). Fora que quem promove esse tipo de passeio deveria se preocupar em ver a condição física de seus turistas. Na volta, mais diesel e monóxido de carbono. Por fim, para compensar o dia exaustivo de contato intenso com a natureza, um reconfortante sono em um quarto onde predomine uma tecnologia para um bom descanso e, para não falar que não há mais contato com a natureza, travesseiro com penas de ganso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Enfim... Obama...


Um dia para a história mundial. O novo presidente do mundo ou da maior nação do mundo ascende a seu posto. Uma comoção nunca vista antes tomou o mundo inteiro, pois o homem que ocupará este posto é um negro. E eu pergunto: e daí? E daí que é um negro?

A eleição de Barack Hussein Obama causou enorme furor em várias partes do mundo, sobretudo nos países pobres, sobretudo e mais ainda nos países da África. Crianças que nasceram no Quênia por esses dias, por exemplo, receberam o nome de Michele, nome da nova primeira dama estadunidense, e Barack. Festas e mais festas foram feitas no continente africano após o final da contagem de votos que deu a vitória a Obama, tornando-o presidente dos Estados Unidos. Mas é isso, ele é apenas presidente dos Estados Unidos. E apesar de toda importância que este país tem para o resto do mundo, a vitória do presidente democrata é uma vitória apenas dos eleitores deste país, pois só eles votaram e, certamente, as medidas que serão tomadas pelo novo governo visarão tão somente os habitantes de lá.

O fato de Obama ser negro, de fato, pouco importou na eleição. Claro que isso foi uma bomba de marketing. Mas a vitória dos democratas sobre os republicanos era mais do que esperada, uma vez que é comum a mudança de poder nos EUA a cada oito anos. Contudo, a força do ícone do candidato não-branco, e mais que um negro acho que isso é o que ele é, foi enorme. Aliás, nas eleições passadas, os democratas já tinham tentado isso quando em mãos possuíam uma candidata, a senhora Clinton: mais que uma mulher, ela era um não-homem. Acredito que idéia do partido nas duas eleições era usar a imagem de seus candidatos como se eles fossem a voz de uma classe social oprimida. O marketing democrata não venceu nas eleições de 2004 devido às inúmeras recontagens de votos que existiram até darem como vencedor o Bushinho.

Mas ainda acredito que tanto Obama quanto Hilary seriam apenas e tão somente figuras, imagens para as decisões já tomadas e medidas já planejadas pelos chefões do partido. Iguaiszinhos ao nosso presidente, ele é apenas um ícone, uma cara que o partido precisava, uma face que trazia com ele a voz daquele que saiu do nada e conseguiu muito na vida.

Enfim, não sei se devia, mas sinto enorme tristeza ao ver países pobres comemorando essa vitória, sobretudo quando vejo isso em países da África, que se alegram, e muito, com essa 'nebulosa' boa nova estadunidense. Pessoas admiráveis por suas composições poéticas, como Mia Couto, dizem verter lágrimas. Esse texto que o Mia Couto escreveu me assusta bastante, pois sinto um certo extasiamento com algo que não sabemos no que vai dar. Pela voz do poeta, dá para perceber bem que a África sente como se tivesse vencido, como se alguém 'da terra' fosse agora o presidente do mundo. Aderiram totalmente à vitória de Obama e assim ficará mais fácil de eles não sentirem que a negligência em relação a este continente deverá aumentar ainda mais, principalmente nestes tempos de recessão. O povo africano sente que agora serão representados no, talvez, mais importante cargo do mundo, mas a eles sobrarão migalhas novamente. Mia Couto diz que o Obama, se fosse africano, teria que sambar o samba dos Bushs de lá, mas não percebe que nos Estados Unidos (assim como em boa parte dos países ditos democráticos) também tem um samba próprio e quem quer entrar precisa saber os passinhos.

Há de fato uma certa visão do contos de fadas sobre a eleição de Obama, não só na África, mas em quase todo o mundo. É como se o pobre conseguisse no final, por passe de mágica, sua ascensão social e todos ficam felizes por se sentirem representados, por sentirem compartilhar um pouco da dor da caminhada dele, aliás, que a caminhada dele também é um pouco a de todos. E normalmente vão além, já imaginam quando terão a oportunidade de fazer algo igual.

Plagiando um pouco as campanhas tupiniquins a presidente, o novo mandatário estadunidense disse ao tomar posse que a esperança venceu o medo. Aliás, esperança de um mundo melhor foi que se sentiu nos países pobres, com a eleição do primeiro negro ao cargo de presidente dos EUA. Contudo, não vejo uma esperança sendo alimentada, e sim uma ilusão. E vejo a eleição de Obama como uma solução genial para que o comando norte-americano se torne algo cada vez mais aceito e permitido por países pobres, principalmente porque estes sentem agora possuir um representante sentado no trono ianque.

Penso que é importante que em um país não haja impedimento para que alguém seja presidente em detrimento de sua cor, origem social, religião ou coisas assim. Acho legal e saudável que todos possam participar do processo eleitoral e que esse se dê de forma espontânea. Porém, ter sido pobre, ser negro, ter sofrido algum tipo de violência não dá a ninguém retidão de caráter. Fazer parte de uma minoria ou de um grupo discriminado não dá a ninguém superioridade moral.

Quando há uma oposição ou resistência, quando há pessoas perseguidas, estes grupos não desejam ascender ao poder para acabar com as injustiças, com as violências que tanto os fizeram ou fazem sofrer. As pessoas desejam ascender ao poder para poderem praticar exatamente as mesmas violências com as outras pessoas. Vejamos o caso tupiniquim: nada foi tão nojento quanto ver o PT, que tanto brigou pela ética nos trabalhos do legislativo, envolvido no escândalo do mensalão. Outro exemplo, mais atual e muito mais triste, é a ofensiva israelense para cima dos palestinos.

Se ontem os judeus sofreram com o holocausto, hoje eles produzem o próprio, dizimando mulçumanos que habitam a Faixa de Gaza. Se suas crianças morriam em campos concentração, eles agora mandam mísseis teleguiados para cima de hospitais infantis e escolas. O número de mortos nessa batalha, que está em stand by, ultrapassa 1.200, e nem 30% desse número são de soldados palestinos, a grande maioria são de civis, boa parte mulheres e crianças apavoradas com ignorância abundante na Terra. Tudo porque alguém leu no livro mais importante da sociedade ocidental que aquele território foi reservado por Deus para os judeus. Como a providência divina estava demorando um pouco, os homens resolveram agir por conta para tornar verídica a interpretação dada à bíblia.

A minoria, os oprimidos de ontem, hoje oprimem e matam em nome de seus ideais, simplesmente, porque agora eles possuem poder. Não estou achando com isso que um dia o continente africano vai dar a volta por cima e colocará o resto do mundo sob sua ordem, em uma nova ditadura, onde brancos servirão de escravos para pagarem pelos erros pretéritos. Mas acho que a própria forma de permanecermos separando brancos, pretos, mulçumanos, judeus, e todo e qualquer outro método que serve para classificar as pessoas, o grande problema. Enquanto não vermos que é tudo a mesma coisa, que somos as mesmas coisas, não somos diferentes em nada, possuímos desejos e medos, dor e prazer do mesmo tamanho, enquanto isso não acontecer, eu só vejo cada vez mais a sociedade chafurdando em suas utopias de um lugar melhor para viver. Pois enquanto a gente continuar classificando, com certeza vamos hierarquizar nossas prioridades e, quando tiver o poder na mão, a classe X sempre vai favorecer ou seus em detrimento da classe Y. Isso sempre gerará insatisfação e daí para batalhas e guerras é sempre um pulo, pois aqui parece que quase ninguém tem a humildade de aceitar que não nasceu para ter todos os bens que deseja.

Enfim, boa sorte ao Obama. Tenho certeza apenas que ele trabalhará para o bem dos seus e me surpreenderá se fizer algo mais, além disso. Contudo, se ele não atrapalhar o desenvolvimento de outras nações e for justo nos acordos que ele for firmar, sobretudo com os países mais pobres, será já de grande valia.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sobre a nova ortografia vigente

- E agora, meu filho? O que esse pessoal quer inventar com esse Português novo? O que será dos livros que já temos?

- Ah... vó, não tem problema. Eles podem continuar existindo...

- Não, não. Segundo eles agora tá tudo errado. E eu também que aprendi agora a escrever, mas não sei mais nada. Pior foi para você que vai ter que saber esse novo, pois vai dar aula, né?

- Pois é. Mas eu vou ensinar as duas formas aos alunos.

(risos)

- Que isso, menino?! Você tem que ensinar só o novo certo! Mas eu vou falar uma coisa para você, meu filho: isso aí é coisa de gente velha que não tem o que fazer.

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Diz que a vovó não está coberta de razão.

Temporada de chuvas em São Paulo


Não se esqueça de levar o seu!
Um recado do seu amigo Borba

Nota: o colete na estátua não é um protesto contra as enchentes, e sim uma manifestação artística de Eduardo Srur, o carinha que colocou as garrafas pets no rio Tietê e os barcos no Pinheiros. A idéia do arteiro era chamar a atenção para começar um trabalho de resgate aos monumentos da cidade que estão sendo consumidos pelo tempo. O engraçado é falar em recuperar as obras de artes ridicularizando-as, pois ficou ridículo isso aí. Mais ridículo ainda pra uma cidade que diz ter um programa pra acabar com a poluição visual, o aclamado Cidade Limpa. Aliás, esse programa poderia se chamar cidade limpa por cima, ou cidade sem outdoors e letreiros grandes, pois limpeza feita por funcionários da prefeitura deve existir somente no gabinete do tio Kassab.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Do ano que não quis passar

Não viemos a passeio mesmo para cá, com certeza viemos para ser felizes, mas esperar flores ou desejar flores apenas em nosso caminho é querer realmente se trancar em um mundinho egoísta. Opção que pode ser feita e se feita, deve ser respeitada. Contudo, acredito que não deve ser assim. Apesar do tom sério, não... sem sermãos, vim aqui apenas tirar um barato de vários fatos desse ano, o ano que não quis passar.

Um ano que começou com a vida ficando mais feia em terras tupiniquins.

Um ano em foi possível mostrar que um ano o é suficiente para acabar com um trabalho de seis anos e o Santos provou isso. A melhor contratação do time se arrebentou e só volta a jogar apenas no meio de 2009. Ano para se esquecer mesmo no Peixe, pois mesmo vendo times ridículos na década de 90, eu nunca tinha visto meu time lutar para não cair. Fora o fechamento do ano com chave de bosta com o São Paulo hexa, tá de zoeira!

O ano que não quis passar contou com aquele que podemos chamar como maior evento da história da humanidade, as Olimpíadas de Pequim, pena que o brilho da festa serviu para encobertar toda ditadura imposta pelo governo chinês a sua população e mesmo assim o mundo bateu palmas depois que o jogo começou e ninguém mais nem ligou para isso.

Ano de eleições também. Reelegemos o prefeito da cidade limpa, mas que ironia o nome do programa que fez mais propaganda pro tio Kassab, pois São Paulo incluiu em seus registros sobre regiões com risco de algamentos lugares que nunca haviam sentido o caos de uma enchente. Mas eleições dentro e fora do país e o novo presidente do mundo foi eleito. Obama, mas que não se esqueçam que ele tem Hussein em seu nome. Uma expectativa enorme é colocada sobre este homem, que para padrões americanos é um negro, mas na África, se o chamarem de branquelo, não seria nenhuma inverdade. Falo da cor dele, não por preconceito, mas porque eu realmente não posso crer que as pessoas depositem suas esperanças em alguém por ser branco ou negro. A onda Obama é de tão grande sucesso, que até as loiras saíram meio de moda. Sim! É impressionante como elas perderam vez em concursos de beleza. Na musa do Brasileirão, nenhuma na final, Grêmio e Inter sem representantes. Fora um concurso de miss que um dia eu tava vendo, não tinha loiras pras finais também. O que chateia é uma tentativa agora do politicamente correto. Tentam fazer isso para esconder um passado de injustiças? Grande bobagem, não é eleger um negro que colocará todo um passado pra trás. Mas seria parar a própria coisa de marcar como negro ou oriental ou mulçumano que ajudaria a ver como todos somos iguais.

O ano que não quis passar também teve outro grande evento. A infodível Sandy acabou de vez com a dupla formada com seu irmão e casou! Veja só, mas acho que ela continua ainda com o título infodível, pois consta nos autos da internet que o senhor Lucas Lima, marido da nossa querida, ficou conectado ao seu blogue durante a 'primeira' noite como casados. Aliás, contando tudo sobre o casório, que beleza! Cara, eu ri, porque por muito tempo a Sandy foi a musa de uma geração. E agora o cara não vai lá pra consumar a porra do casamento. Vou te falar... coisas do inominável!

O ano que não quis passar, quando eu já tinha achado que nada de mais grave ocorreria, uma péssima surpresa se anunciou: mais um momento triste da história do Oriente Médio começava a ser escrita. Israelenses de vítimas de um genocídio começam agora atacar sem piedade nenhuma a Faixa de Gaza. Hospitais e escolas estão sendo atacados e, como os judeus tem proteção da pátria mãe, nenhum pedido da ONU faz com que o massacre termine.

Altas mudanças nesse ano. E muita bobagem, o ano que quis passar, no departamento 'pessoal', pessoalmente, eu resumo em uma história: sempre quando recarrego o bilhete único nas lotéricas, eu faço a famosa fézinha! Enfim, jogo na Timemania para ajudar o Santos. Um dia meio sem paciência pedi ao caixa que fizesse uma surpresinha pra mim e me esqueci de pedir para marcar o Peixe como time do coração. Enfim, jogo feito não tinha muita volta, mas nunca saía o Santos mesmo como time sorteado, então, sem crise. Mas adivinhem quem foi o time sorteado daquele vez? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk... Deste ano, guardarei sim, que ao lado daquilo que é realmente frágil e das coisas que ninguém usa, podemos contar sempre com grande e bons amigos! E estes fazem de qualquer momento ruim, um momento pra se aprender e pra rir mais tarde.

O ano que não quis passar tem que ser chamado assim, pois além de toda zica que ele trouxe, ele realmente não quis passar, durou demais. Foi bissexto e teve ainda um segundinho a mais no final. Realmente, não queria passar.

Sacanagem a parte, peço desculpas pela postagem longa e contendo um amontoado de coisas, fora várias coisas que ficaram de fora. Mas eu precisava dessa passada a limpo para poder voltar a escrever por aqui e em outros lugares.

Bom... ao trabalho!