terça-feira, 1 de setembro de 2009

Protesto

Não sei se é bem um protesto ou uma constatação que me chateou bastante. Eu sou bem claro no que penso: não é possível que em pleno século XXI nós tenhamos que mudar traços culturais por força de uma lei. Parece ser até meio exagerado, mas é o que eu sinto mesmo. Para mim, a reforma ortográfica e a imposição do português contra língua geral que existia no Brasil até o século XIX, veja bem, nem a 200 anos atrás direito, tem o mesmo fundo de imbecilidade intelectual.

Sites dos grandes portais tupiniquins já mudaram para nova ortografia e nas escolas tivemos praticamente uma força tarefa para instruir os professores. Todas as escolas brasileiras já ensinam a nova ortografia e o acordo foi fechado no início desse ano e ainda prevê 4 anos para adaptação. Eu gostaria de entender toda essa neura para adaptação a essa farsa. Ah, FARSA sim! Não faz nenhum sentido lingüístico, nem cultural, tal unificação das ortografias dois países que falam português. Quem lê "idéia", lê "ideia". Então, o que é escrito aqui é lido em qualquer lugar que tem como língua oficial o português.

Se se lê qualquer uma das formas, por que eu estou reclamando? Simplesmente porque a forma em que escrevemos marca nossa cultura, marca nossa identidade. Gostaria que o povo brasileiro continuasse a escrever da forma que ele se acostumou. É uma questão semelhante ao sotaque. É de qualquer forma uma imbecilidade quando alguém muda o sotaque só para poder fazer parte de uma conversa. E é ainda mais imbecilidade quando pessoas discriminam outra por seu sotaque.

As outras alterações na ortografia do Português Brasileiro foram baseadas em mudanças que já tinham acontecido na prática, só precisavam oficializar. Essas alterações agora só servem de política e não passam do devaneio de lingüistas que gostariam de ter controle sobre a língua; não respeitando algo que aprendemos no primeiro ano de curso, pelo menos na USP, as línguas mudam com o uso, ou seja, na prática só muda se as pessoas aderirem às mudanças.

O que me chateia é ver como o povo brasileiro assimilou isso e obedeceu com tanta facilidade. Quanta obediência! Quanta aceitação! Parece que o próprio Deus ordenou isso. Parece que não estar escrevendo dentro da nova ortografia é feio, é fora de moda, é estar atrasado. Mas de forma nenhuma as pessoas pensam que mudar a ortografia é de certa forma mexer com nossa identidade cultural. Nesses momento é que vejo o quanto o brasileiro não possui um identidade cultural, não se identifica com nada, é omisso e permite-se ser subjulgado com grande facilidade.

Esse blogue fará parte de uma pequena resistência brasileira formada por alguns blogues amigos, alguns escritores, como Rui Castro, que não aceitam ter que "re-aprender" a escrever. Essa resistência se junta a grande nação portuguesa que até o momento não deu nem bola para tais alterações, como é possível ver no site do Governo Português e no jornal Correio da Manhã. Aliás, como é bom ir lá e ler um actual e ter a certeza de que aquilo é um texto de Portugal.

2 comentários:

Lia Lee disse...

Apoiado!!!

Já disse, tempos atrás, e repito: A Pós-utopia (com acento e hifen) não adere o acordo ortografico!

Cristian disse...

Estamos nessa! E a subserviência brasileira assusta...