quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

daquilo que sei, é que preciso pedir desculpas...

só assim é possível continuar...

e peço desculpas a você a quem ofendi, como diz na oração, pois nada justifica isso
peço a você desculpas por algo que fiz e que você não gostou, nem sempre faço as coisas com as melhores intenções
peço também a você que me esqueci, todos merecem toda consideração

peço desculpas a Ele por meus erros, que não são poucos... e agradeço a toda oportunidade!

e agradecer também é continuar...

e agradeço a todos que estiveram comigo este ano
a meus amigos distantes
a safra (e muita gente tá aqui!)
a minha neguinha
a minha família
a Ele, porque nunca demais agradecê-lo

Feliz 2011!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vitória de quem?

Em 2007, antes dos Jogos Panamericanos no Brasil, policiais do BOPE foram assassinados no Rio de Janeiro. Uma ação vingativa, de certo modo, e que também pretendia estabelecer um controle sobre a violência durante o evento esportivo acabou com tiroteios, mortos, alguns presoso e domínio temporário do complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro pela PM Fluminense.

A foto abaixo mostra a bandeira do BOPE hasteada em comemoração por uma semana de ocupação das favelas da Penha, em 2008. Em uma nova operação da PM, tiroteios, mais mortos, mais alguns presos.

Assistimos desde a semana passada uma verdadeira operação de guerra no Rio. Traficantes, teoricamente irritados com expansão das UPPs (Unidade de Polícia Pacificador, fazem parte da política de segurança do Rio desde o final de 2008), começaram a promover arrastões e queimas de veículos em represália. Mais uma vez a região das favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro viraram campo de batalha e mais uma vez estão ocupadas pela Polícia Militar do Rio, agora com ajuda das Forças Armadas e da Polícia Federal. A situação vem sendo veicula como uma grande vitória do poder público contra o tráfico de drogas, mas será mesmo que há algo para se comemorar, lembrando que já outras ocupações existiram?

O que vem me chamando muito a atenção até agora nas coberturas jornalística é esse clima vitória e a forma como a vida copiou a arte. Sim, Tropa de Elite deixou de ser apenas um filme inspirado nas práticas do BOPE e começou a ser inspiração para a forma da Polícia Militar do Rio se portar frente aos microfones. É um pastelão sem nenhum estilo!

Por mais que o filme retrate o comportamento dos policias do BOPE, jamais um policial de verdade pode repetir algumas idéias e bordões. Eu vi um policial falar que o perdão dos traficantes cabe a Deus, ao BOPE só cabe promover esse encontro. Isso é lamentável! Por mais que eles tenham a intenção de promover uma carnificina, o que já não é louvável, é ridículo querer aparecer usando esse tipo de frase de efeito para parecer com o filme.

Perdeu-se a noção do ridículo. Bandeiras do Rio, do Brasil e do próprio BOPE estão novamente hasteadas nos territórios das favelas como símbolo da vitória. Fazer tipinho agora vale declarações em rede nacional. Só falta agora os policiais e militares com um “Filma nóis, Galvão”.

Mas sobre quem mesmo é essa vitória? As cenas que mostravam os bandidos com armas eram tristes. Você via claramente pessoas sem nenhuma perspectiva dispostas a matar e morrer em nome de nada! Sim! Nada! O morro estava tomado por traficantes, pessoas que lidam com drogas, armas e muita grana, mas sem ideologias, sem a intenção de promover nada além de uma melhor vida financeira pessoal e olhe lá!

De fato, não são inocentes e nem faziam nada do que faziam por algum tipo de obrigação. Mas são bestializados, gente esquecida e que viu o tamanho do buraco que existe entre Estado e a sociedade para fazer seu negócio. Eu sempre achei que, quando algum político resolvesse combater o crime organizado, era praticamente impossível que não houvesse uma grande batalha armada. Ora! Quem está na boa não vai largar o osso assim tão fácil, principalmente se tiver condição de dificultar. Mas só o combate armado não resolverá o problema, pois a bandidagem se instalou onde o Estado nunca esteve. Ou o Estado cumpre com suas funções básicas e promove Educação, Saúde e Segurança ou será questão de tempo para tudo voltar a como era antes.

A vitória anunciada aos quatro ventos hoje pela mídia é uma vitória da repressão do Estado contra aqueles que eram obrigação do Estado cuidar. E os resultados estão para lá de nebulosos. Diziam que estavam no Complexo do Alemão, ontem antes da invasão da PM, cerca de 500 bandidos. Até agora não chega a 50 o número de prisões feitas e como não existiu nenhuma morte nesta operação, fica a pergunta: onde estão os outros? (E ainda a gente tem que agüentar esse ar de "dever cumprido", pode?)

Outra questão nebulosa está em relação ao futuro dessas operações no sentido das investigações. O que será feito? Será de fato desmantelado o esquema que permite o contrabando de armas de grosso calibre e drogas no Brasil? Ou isso é só para levar a cabeça de alguns a prêmio e tirar uma foto legal para dar boa impressão através dos jornais? Até agora ninguém importante foi preso e a gente sabe que sem um figurão o esquema do tráfico não funciona.

O fato é os que financiam (aqueles que fumam, cheiram e injetam as 40 t de drogas apreendidas) e os que lucram alto sem por mão na sujeira estão tranqüilamente em suas casas, longe dali, vendo o coro comer e pensando no que fazer, em como não deixar a ‘roda’ parar de girar. Se as investigações promovidas pelo Estado não forem atrás dessa gente, nada mudará, pois outras ofensivas – em menor escala – já existiram por parte da polícia e a situação de 2007 para cá não mudou. Só quando essas pessoas sofrerem com a repressão, Estado brasileiro dará de verdade um duro golpe no tráfico de drogas.

Enquanto isso, policiais fazem pose ao lado de suas presas (a foto é do traficante Zeu, assassino de Tim Lopes), a imprensa brasileira brinca de fazer cobertura de guerra, alucinada por nossos ‘Sadans’ e ‘Bin Ladens’, as pessoas fingem acreditar que o ‘inimigo’ foi derrotado e a gente espera até a próxima batalha campal nos morros cariocas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A censura de imprensa


Vou aproveitar a fala do Lula hoje para desenterrar a velha idéia de um texto, que estou enrolando há algum tempo para escrever. Hoje, nosso ainda presidente deu uma entrevista para blogueiros e falou sobre tudo, claro que tudo não vai tudo o que queríamos ouvir, até porque os blogueiros foram caprichosamente escolhidos.

Não vou criticar o Lula por ter feito assim, mas vou concordar com Marcelo Tas, era o momento de pelo menos alguma abertura a críticos. Não a críticos talibãs, tal qual aquele senhorzinho da Veja, pois viraria baderna. De qualquer forma, a idéia de uma coletiva, da forma que foi feita, uma mesa redonda praticamente, com transmissão integral do conteúdo online, via Twitcam, é de se aplaudir. Só na própria Twitcam oficial, houve pico de 7 mil acessos, sem contar os acessos por outros sites que transmitiam. Isso sem falar que a divulgação do evento também não foi tão grande assim. Isso deixa claro que as pessoas sentem falta desse tipo de aproximação com seus representantes.

Isto posto e contextualizada a situação, vamos à frase que motiva este texto: “Não existe maior censura do que a idéia de que a mídia não pode ser criticada.” A frase foi forte e estou ansioso para ler o que muitos críticos terão a dizer. Mas eu tenho o seguinte a dizer: concordo 100% com a afirmação.

É o seguinte, em um regime político ditatorial, a censura é às claras, todo mundo sabe como ele acontece. O Governo tem o poder e pronto: corta dali, corta daqui, não publica, manda prender, faz o diabo. Mas todo mundo sabe como a banda toca direitinho, todo mundo sabe que as coisas devem sair do jeito que o Governo quer e ponto. Todo mundo sabe da parcialidade, da visão extremista e quem está no poder não fica se preocupando em se parecer imparcial. Faz o seu e nem quer saber de mais nada.

Mas o que vivemos hoje é tão lamentável quanto uma ditadura no sentido da liberdade de expressão. Claro que aqui não estou falando dos horrores da prisão, das torturas, dos assassinatos dos ‘inimigos’ do Estado. Contudo, existe uma ‘ditabranda’ que não permite que se fale tudo o que se quiser, critique-se aquilo que der na teia. Mesmo respeitando os limites da boa convivência, de alguns não se pode falar mal hoje no Brasil.

Peguemos o caso recente da “Falha de São Paulo”, uma paródia da “Folha de São Paulo”, que foi proibida por decisão judicial de continuar com suas críticas. O jornal da família Frias tem suas seções de charges, piadas e acha muito ruim quando vem o governo e diz que pode criar um organismo público que verifique a qualidade da imprensa. Mas ele não suportou a piada feita com ela, de seus absurdos publicados e entrou na justiça para não ser mais chacota.

A “Folha de São Paulo” tem dinheiro para pagar bons advogados e bater em quem quiser ridicularizá-la, mas ela não pensa duas vezes quando publica uma notícia falsa (lembram do forjado muro de dinheiro estampado na primeira página na reta final das eleições de 2006?) e depois não faz nem retratação. E ela se sente no direito de publicar o que quiser, pois diz que a constituição lhe garante isso, mas não quer saber disso em relação a quem a critica. Contraditório, não?

Em um caso também bem esquisito se envolveu “O Estado de São Paulo”, que não gostou nada do que Maria Rita Kehl escreveu em um texto intitulado, Dois pesos. A psicóloga criticou duramente o eleitorado paulistano de José Serra que, para ela, julgava seu voto superior ao do restante do país. Em nenhum momento, ela critica o jornal, aliás, o elogia por deixar claro que apoiava Serra. Mas a diretoria do jornal entendeu que a crítica feita a seus leitores, e maciçamente os leitores do Estadão são tucanos, pegou mal e demitiu sua colunista. No Twitter, o comentário foi grande e incomodou a direção do jornal.

De fato, não é nenhum crime mandar embora alguém de um jornal, principalmente quando essa pessoa não está fazendo aquilo que é desejado. O Estadão tem sua linha editorial e a trabalha da forma que bem entender. Se ele tem tantos leitores, deve ser porque muita gente gosta desta linha. Contudo, a justificativa do jornal é que pegou mal, não quis atribuir a demissão da psicóloga ao texto, tentou sinalizar que é comum a mudança dos colunistas. Ora, então, quer dizer que os dias delas já estavam contados e só foi uma infeliz coincidência o texto? É chamar quem leu a justificativa de idiota. Na verdade, o jornal não queria, em meio ao processo eleitoral, sair manchado por mandar embora alguém que não concordava com os leitores do jornal, isso poderia parecer pouco democrático e até refletir mal na campanha do candidato que ele apoiava.

A Globo talvez seja a que goste mais de mostrar seu poder. Voltando às eleições, a Globo levou um perito em vídeos para mostrar que, em uma passeata no Rio de Janeiro, o candidato José Serra havia sido vítima de um objeto não identificado que bateu em sua cabeça. O vídeo era grotesco e os sinais de montagem eram gritantes. Logo a Rede Globo tinha virado piada no Twitter. Então, a postura da emissora foi dar mais pano para manga dessa história e chamou outro perito, Fátima Bernardes no Jornal Nacional parecia falar do caso com a mesma comoção de que falava da morte do Papa João Paulo II. E não deu outra, virou piada.

Nesses três casos, fica claro que nenhum órgão de imprensa quer virar piada, mesmo quando faz mal seu trabalho. Nenhum quer ter suas decisões questionadas, muito menos por aquelas pessoas a quem eles devem seus salários pagos: seus leitores, seus telespectadores. Com a Internet, quem estava lançado à sorte de toda baboseira escrita, editada, filmada, gravada e que comprava isso como informação começou a ter voz, pôde começar a rebater isso. E isso tem incomodado muita gente!

Aliás, Marcelo Tas esses dias escreveu no Twitter perguntando o papel da nova imprensa. Eu respondi que não sabia qual seria o papel, mas a descentralização da informação na mão dos principais veículos de comunicação incomodará muito muita gente. E é exatamente pelas reações acima citadas que digo isso. A imprensa não quer nem saber de pessoas fazendo propaganda contra elas, vide o que aconteceu com o pessoal da “Falha”. Durante a Copa, foi proposto um #diasemglobo e a emissora chegou a entrar com um pedido na justiça para que a hastag fosse tirada do Twitter, ou pelo menos deixasse de aparecer nos Trending Topics.

A frase de Lula está corretíssima. Essa censura que a mídia impõe a quem a critica é a maior das censuras, pois ela vem travestida de liberdade de expressão, quando na verdade ela faz parte do sistema “chora menos quem pode mais”. Sim! Esse é o sistema, não muito longe do que faz uma ditadura. Só que nessa ‘ditabranda’, a censura é conseguida na base do dinheiro, nos tribunais e do jeito que a lei manda.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobre os protestos dos professores...

Eu fico indignado com a cobertura da imprensa sobre as manifestações populares por reivindicações de qualquer natureza. Tem muita gente que usa o microfone para dizer que todo mundo tem que aceitar a merda em que vivemos e não pode querer protestar, pois isso atrapalha a vida de quem não tem nada a ver com isso.

Mas quem é o quem não tem nada ver com isso no caso da Educação? Estamos todos no barco. A questão é que as pessoas preferem fechar os olhos e criar um 'jeitinho' para que as coisas saiam. Ninguém quer parar para fazer aquela revisão e lutar pelas mudanças necessárias.

O jornal Agora, em sua capa de hoje, estampa uma foto das pessoas caminhando na zona sul da Capital para escaparem dos ônibus lotados. As pessoas, ao invés de lutarem por melhores condições no transporte público, preferem acordar mais cedo para fazer verdadeira procissão, às sete horas e sete minutos da manhã (horário da foto segundo o jornal), e assim chegarem a seus trabalhos.

Acredito que há muita coisa errada com a postura de sindicatos e com os próprios professores, mas o protesto paralisando a cidade talvez seja a única forma de conseguir alguma coisa. Então, acho que as pessoas deviam tomar mais cuidado ao simplesmente saírem criticando as manifestações. Até porque, a continuar nessa aceitação, daqui a pouco vamos achar normal pagar R$ 2,70 para andarmos nas calçadas (isso se já não tem muita gente achando isso).

Abaixo coloco um texto que a Lia mandou para o pessoal da Safra 2003. O texto foi mandado pela mamãe dela que é professora da escola pública há quase o mesmo tempo que eu tenho de vida. (Lia, depois manda o nome da sua mamãe para eu dar o crédito certinho).

A VERDADE SOBRE JOSÉ SERRA E A EDUCAÇÃO PAULISTA

Estamos em ano de eleição e, portanto, é hora de prestarmos atenção aos possíveis candidatos para que o nosso voto não seja motivo de mais mazelas sociais causadas por más administrações. Sabemos, no entanto, que manter-nos informados quanto ao que realmente acontece em nossa sociedade não é tarefa fácil, uma vez que boa parte da grande mídia está a serviço do capital e de partidos políticos – geralmente conservadores.Como o PSDB
É por essa razão que, por meio desse e-mail, queremos informar a todos o que realmente acontece na educação paulista, uma vez que possivelmente o Sr. José Serra se candidatará ao cargo de presidente da República neste ano.
Acreditamos na Internet como um meio eficiente de fazer ouvir a nossa voz, quando o governo e a mídia, por conta dos seus interesses eleitoreiros, querem nos calar e difamar a todo custo.
Um exemplo dessa atitude criminosa da mídia golpista é a matéria que, recentemente, foi publicada no Estadão. Dentre outras insinuações, o jornal acusava os professores da rede estadual de entrar em greve como um pretexto para ficarem de “braços cruzados”, um jeito “sutil” de classificar a categoria como preguiçosa.
O jornal “esqueceu-se”, no entanto, de contar aos leitores os reais motivos da paralisação dos professores. Este e-mail, portanto, pretende impedir a manipulação asquerosa promovida por esse e por outros jornais de grande circulação, contando o que de fato acontece nos estabelecimentos de ensino do estado de São Paulo e que motivou a greve.

SEGREGAÇÃO DA CATEGORIA

O governo Serra dividiu os professores em categorias com letras sugestivas como O de otário, L de lixo, F de f*****, etc, como se fôssemos gado marcado a ferro quente nas costas com as iniciais do dono.
O intuito disso é muito simples: segregar a categoria, jogando professores uns contra os outros, numa clara tentativa de enfraquecer a categoria, facilitando a aplicabilidade dos desmandos do governo tucano.
A verdade, no entanto, é uma só. Somos todos professores, e temos – ou deveríamos ter pela lógica mais pueril – os mesmos direitos. Na prática, porém, não é o que acontece depois da invenção das malfadadas “letrinhas”. Cada categoria de professores é totalmente diferente da outra.

A DUZENTENA

Os professores da categoria O, por alguma razão ilógica que ainda estamos tentando compreender, após término de contrato terão que ficar 200 dias afastados das salas de aula. Isto significa que, se um professor está cobrindo uma licença de três meses, após esse período cessa o contrato e ele precisa ficar 200 dias em casa.
As perguntas óbvias que surgem imediatamente são: Acaso deixaremos de precisar trabalhar durante 200 dias? Nossos filhos deixarão de comer durante 200 dias? Sob quais argumentos o governo aprovou uma lei tão absurda e sem sentido?
O que parece é que a lei é um desestímulo a que os professores participem das atribuições de aula, e cubram licenças como professores eventuais, o que acontece muito.
Isso porque um professor contratado exige que se recolha INSS, que se pague horas de HTPC, dentre outros benefícios que o eventual não tem.

MATERIAIS DE PÉSSIMA QUALIDADE

Há alguns anos o governo tucano de São Paulo vem enviando às escolas revistas com aulas já prontas – tirando toda a autonomia e liberdade do professor. Tais revistas são de péssima qualidade, apresentando erros grotescos, propondo exercícios patéticos que pouco ou nada contribuem para o avanço dos alunos.
SARESP NÃO MOSTRA A REALIDADE DOS ALUNOS PAULISTAS

Os índices do IDESP – que somam índice de aprovação de alunos e desempenho na prova do SARESP – estão longe de revelar a realidade das salas de aula no estado de São Paulo. A verdade é que, com a progressão continuada, isto é, a obrigatoriedade de aprovar um aluno de um ano a outro, a menos que este exceda o número de faltas permitidas, é muito fácil manter um índice alto de aprovação de alunos, sem que isso signifique necessariamente que eles possuem as competências e habilidades que deveriam possuir.
Ademais nos resultados do SARESP o que vemos são textos asquerosos que tentam intensificar avanços pequenos, e minimizar atrasos significativos. Ademais o governo tem o mau hábito de atribuir a suas políticas educacionais os méritos dos avanços dos alunos, e lançar apenas ao professor a responsabilidade pelos regressos.

SALAS LOTADAS

Há um grande número de alunos por sala de aula, o que dificulta o trabalho dos professores, fazendo com que o ensino não tenha a mesma qualidade que poderia ter caso o número de alunos fosse reduzido.
Além disso o governo prometeu que colocaria dois professores por sala na primeira série do Ensino Fundamental I, e isso não é o que temos visto. Ao contrário, o que vemos são PEBs I com 40 crianças de cinco e seis anos sem que haja o prometido professor auxiliar..e não pense que é só nas PEBs I que encontramos esses números absurdos de alunos não!!!

PROVÃO DOS ACTs

Está claro que o governo pretende com o provão dos ACTs passar a ideia ilusória de que os supostos “professores incompetentes” serão afastados das salas de aula, o que seria um avanço na educação, uma inovação desse governo. Isto porém não passa de mais uma medida para fazer com que o povo acredite que a educação está melhorando graças ao governo Serra. Também é um meio de jogar a responsabilidade pela falência da educação sobre as costas dos professores, classificando-os como incompetentes, para não assumir a parcela farta de culpa do governo tucano que sucateou o ensino.

AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO E VALE-TRANSPORTE

Quanto a essa parte não é preciso dizer muita coisa. Não é à toa que os colegas apelidaram o vale-refeição de “vale-coxinha”. Quem consegue receber o “benefício” sabe que ele é tão vergonhoso quanto o nosso salário. E aí dar mais aulas ou ultrapassar o "limite" de salário para receber o vale-coxinha ou ficar com o vale-coxinha e dar menos aulas? Difícil escolher entre as duas mixarias!!!!

PROPAGANDA ENGANOSA

O governador José Serra,do PSDB com claros interesses eleitoreiros, tem veiculado propagandas na mídia que mostram uma realidade falseada da educação paulista. Nessas propagandas o salário dos professores é ótimo, a educação avança vertiginosamente, etc.
Na prática qualquer professor sabe que isso não é verdade.

SALÁRIOS MISERÁVEIS

Freqüentemente somos acusados pela mídia golpista a serviço do PSDB de mercenários, simplesmente porque lutamos por salários dignos. Parece que a imagem que se tem do professor é a mesma do “voluntariado”.
Nós professores temos famílias para sustentar, temos contas a pagar, dedicamo-nos não somente dentro da escola, mas também em nossas casas, já que é no lar que nos atualizamos, corrigimos trabalhos, planejamos aulas.
O salário base de um professor hoje não chega a R$ 950,00, o que é muito pouco para um trabalho que exige de nós muito tempo.

FALTA DE CONCURSOS PÚBLICOS PARA EFETIVAÇÃO

Vem do período da ditadura militar essa insistência em manter professores temporários na rede. Hoje esses professores são parte significativa de todo o efetivo da categoria. O número de temporários ultrapassa os 80.000 professores.
Isso gera algumas dificuldades na hora de aposentar-se, e não dá acesso a alguns benefícios que o efetivo tem.
É verdade que agora – em ano de eleição – o governo realizará um concurso público para efetivação de professores. No entanto o número de vagas é ridículo, pouco mais de 10.000. Precisamos de muito mais vagas para substituir todos os temporários da rede, então só pensando um pouquinho...já sabem de quem serão as vagas..tempo de serviço não conta?

PROFESSORES NÃO FORMADOS ATUAM NA REDE

O governo, que vez ou outra coloca professores de “reforço”, como está acontecendo com os educadores da disciplina de matemática, e que quer demonstrar tanto rigor na contratação de professores com provas eliminatórias, na verdade permite que alunos de faculdade – ainda não formados – bacharéis e tecnólogos – que não passaram em sua graduação por disciplinas relacionadas à prática pedagógica, lecionem tranqüilamente na rede pública.

Preste muita atenção em quem você vai votar.
A mídia e o governo estão tentando jogar a sociedade contra os professores, ao mesmo tempo que tentam abafar as reais dimensões da greve para que a imagem do “candidato das elites” não saia arranhada e atrapalhe suas pretensões políticas.